Inesperadamente, o Ateu encontra Deus. Toca seu rosto, pergunta:
- Então você é mesmo Deus?
- Sim, sou.
- E agora serei obrigado a acreditar no Senhor?
- Sim. Você me viu, me tocou; você comprovou a minha existência de forma irrefutável. Passei a ser um objeto real, como um pássaro, como uma pedra. Você acredita em tudo o que pode provar e agora não tem escolha a não ser acreditar em mim.
O Ateu, que baseou a sua vida no fato de não acreditar em Deus, se viu obrigado a se reinventar. Não ia ser fácil.
- Devo contar a minha descoberta para as pessoas?
- Essa escolha é sua; e, se resolver contar, junte-se à multidão lá fora que faz o mesmo.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Personas
Autocontrole, pra mim, é saber vestir a persona correta no momento adequado.
Ainda não atingi esse nível; o máximo que consigo é identificar com suficiente clareza qual a persona deveria ser utilizada em cada situação. O difícil é querer ou saber vesti-la ali naquela ocasião. Sendo assim, ocorre de me sentir sufocado de calor no terno da pessoa séria em uma ocasião relaxada. Sinto a persona folgada e larga demais onde deveria estar com uma mais justa e alinhada. E também acabo aparecendo de chinelo quando a ocasião pede uma persona de finos sapatos. Já me peguei nu em ocasiões descabidas.
Parte da dificuldade em vestir a persona correta está na chatice de vestir a persona correta. E não posso deixar de confessar que isso ocorre por imaturidade da minha parte, como o menino que quer dormir de uniforme pra poder acordar mais tarde e a menina que não quer tirar o vestido de festa novo do corpo por que achou muito bonito. Mas a mamãe super ego não deixa. O problema é que às vezes ela está bêbada assistindo novela ou pegou no sono ao ler Crepúsculo na cama e deixa o caminho aberto pro Id vestir a persona que bem entende. O objetivo é tornar o super ego uma mãe menos relapsa, pelo menos nos momentos mais críticos. Talvez com o passar do tempo eu amadureça até o ponto de saber e querer vestir a persona correta quando necessário.
Se bem que me imagino velhinho indo com a minha persona de pijama e pantufa para qualquer parte.
Ainda não atingi esse nível; o máximo que consigo é identificar com suficiente clareza qual a persona deveria ser utilizada em cada situação. O difícil é querer ou saber vesti-la ali naquela ocasião. Sendo assim, ocorre de me sentir sufocado de calor no terno da pessoa séria em uma ocasião relaxada. Sinto a persona folgada e larga demais onde deveria estar com uma mais justa e alinhada. E também acabo aparecendo de chinelo quando a ocasião pede uma persona de finos sapatos. Já me peguei nu em ocasiões descabidas.
Parte da dificuldade em vestir a persona correta está na chatice de vestir a persona correta. E não posso deixar de confessar que isso ocorre por imaturidade da minha parte, como o menino que quer dormir de uniforme pra poder acordar mais tarde e a menina que não quer tirar o vestido de festa novo do corpo por que achou muito bonito. Mas a mamãe super ego não deixa. O problema é que às vezes ela está bêbada assistindo novela ou pegou no sono ao ler Crepúsculo na cama e deixa o caminho aberto pro Id vestir a persona que bem entende. O objetivo é tornar o super ego uma mãe menos relapsa, pelo menos nos momentos mais críticos. Talvez com o passar do tempo eu amadureça até o ponto de saber e querer vestir a persona correta quando necessário.
Se bem que me imagino velhinho indo com a minha persona de pijama e pantufa para qualquer parte.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Verdade
Nunca gostei de mitos, sempre desconfiei das verdades dos outros. Uma verdade é tão imperfeita quanto quem a formula; é quase uma mentira.
Sendo assim, prefiro construir minhas próprias verdades, tão imperfeitas quanto sou. Prefiro seguir o que eu observo e sinto, descartando, fundindo e aceitando partes de verdades alheias e seguindo um caminho meu, original na medida do possível e sincero comigo mesmo.
Sendo assim, prefiro construir minhas próprias verdades, tão imperfeitas quanto sou. Prefiro seguir o que eu observo e sinto, descartando, fundindo e aceitando partes de verdades alheias e seguindo um caminho meu, original na medida do possível e sincero comigo mesmo.
terça-feira, 1 de junho de 2010
O seu olhar
O seu olhar é tão meigo
O seu olhar é tão seu
O seu olhar perfeito
E ao mesmo tempo tão meu
O seu olhar tem tristeza
E demonstra alegria
O seu olhar é tão claro
Como a luz do dia
O seu olhar é tão belo
Quando me olha assim
Traz um brilho singelo
Quando olha pra mim
O seu olhar é tão seu
O seu olhar perfeito
E ao mesmo tempo tão meu
O seu olhar tem tristeza
E demonstra alegria
O seu olhar é tão claro
Como a luz do dia
O seu olhar é tão belo
Quando me olha assim
Traz um brilho singelo
Quando olha pra mim
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Imperfeição
A imperfeição das coisas
A distância entre o sublime e o grotesco não é assim tão longa
Não há beleza absoluta
Há sempre algo que destoa
Beleza demais enjoa
O belo é superficial
Ser imperfeito é ser real
Ser imperfeito é estar vivo
É sair do mundo das ideias
É deixar de ser frio e distante
É estar próximo, é estar dentro de nós
É ser ambíguo e contraditório
É provocar novas análises
É ser belo pra alguém
Ser imperfeito é ser humano
Mas procuramos negar nossa condição
Somos limitados e complexos
Queremos segurança e afeto
Buscamos a imortalidade
Buscamos a perfeição
Mas somos assim, imperfeitos
Queremos sempre o que não temos
Pensei em um poema perfeito
Para falar sobre imperfeição
A distância entre o sublime e o grotesco não é assim tão longa
Não há beleza absoluta
Há sempre algo que destoa
Beleza demais enjoa
O belo é superficial
Ser imperfeito é ser real
Ser imperfeito é estar vivo
É sair do mundo das ideias
É deixar de ser frio e distante
É estar próximo, é estar dentro de nós
É ser ambíguo e contraditório
É provocar novas análises
É ser belo pra alguém
Ser imperfeito é ser humano
Mas procuramos negar nossa condição
Somos limitados e complexos
Queremos segurança e afeto
Buscamos a imortalidade
Buscamos a perfeição
Mas somos assim, imperfeitos
Queremos sempre o que não temos
Pensei em um poema perfeito
Para falar sobre imperfeição
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Adultério
Entramos no quarto dele. Ai acho que agora não tem mais volta. Nós vamos mesmo transar. Que delícia! A quanto tempo mesmo não faço amor? Três meses, quatro... nem sei.
Tô nervosa, será que eu ainda sei fazer sexo? É, sexo com outra pessoa que não o meu marido. Claro que sim né sua doida? Pára de paranoia, você é boa, ele não vive te elogiando? Menos de uns tempos pra cá, é verdade, mas pára de ficar pensando! Relaxa.
Xii... ele também está nervoso. Pelo fogo que apresentou no bar eu achei que já ia chegar rasgando a minha roupa assim que entrássemos na casa dele, igual em filme. Acho que a conversa sobre nossos casamentos deu uma esfriada nos ânimos... E essa garrafa de vinho que tomamos foi excessiva.
Ele está tirando a minha roupa... Parabéns, entrar pro clubinho dos que me viram nua. Meu primeiro namoradinho, com quem tive minha primeira vez, meu ginecologista, algumas depiladoras, aquele carinha com quem fiz sexo casual depois de bêbada, meu marido... Ele bem que podia ir mais rápido, assim vou acabar dormindo. Deixa eu ajudar o rapaz.
Acho que ele assustou um pouco com a minha atitude. Mas segundo ele, é justamente isso que o atraiu, o fato de eu ser tão diferente da esposa dele, o fato de eu não ser tão submissa e apática quanto ela. Então tá na hora de mostrar o meu fogo!
Começou, agora não tem mais volta, ele já está dentro de mim, que estranho... Não, não faz assim que eu não gosto... Mais devagar um pouco, não seja tão afobado. Ele é bem peludo, poderia ter dado uma aparada hein? Isso, assim tá bom... Mas não muda! Outra posição? Tudo bem, fazer o que, acho que não vou conseguir gozar mesmo. Quem diria que eu ia sentir falta do meu marido uma hora dessas... Ele pelo menos sabe o que eu gosto. Se ao menos ele ainda me desejasse como a alguns anos atrás. Mas eu também tenho a minha parcela de culpa nisso, é verdade. Falando em gozar... Ele já foi? Rápido não? Será que eu ainda pego o Carlos acordado? Posso pegá-lo de surpresa e terminar a noite gozando com ele. Que saudade disso... O que eu tô fazendo aqui? Quero ir embora, quero minha casa, minha cama, meu marido. Ai que arrependimento de ter feito isso! Mas nada está perdido. Olha a de sono, do palerma, dizendo que me ama! Como fui dar bola pra um cara como esse, meu Deus? A carência faz cada coisa com a gente... Calma lá, você não acha que está indo rápido demais? Agora tá dizendo que me quer todo dia. Mal sabe ele que nunca mais vai me ver.
Tô nervosa, será que eu ainda sei fazer sexo? É, sexo com outra pessoa que não o meu marido. Claro que sim né sua doida? Pára de paranoia, você é boa, ele não vive te elogiando? Menos de uns tempos pra cá, é verdade, mas pára de ficar pensando! Relaxa.
Xii... ele também está nervoso. Pelo fogo que apresentou no bar eu achei que já ia chegar rasgando a minha roupa assim que entrássemos na casa dele, igual em filme. Acho que a conversa sobre nossos casamentos deu uma esfriada nos ânimos... E essa garrafa de vinho que tomamos foi excessiva.
Ele está tirando a minha roupa... Parabéns, entrar pro clubinho dos que me viram nua. Meu primeiro namoradinho, com quem tive minha primeira vez, meu ginecologista, algumas depiladoras, aquele carinha com quem fiz sexo casual depois de bêbada, meu marido... Ele bem que podia ir mais rápido, assim vou acabar dormindo. Deixa eu ajudar o rapaz.
Acho que ele assustou um pouco com a minha atitude. Mas segundo ele, é justamente isso que o atraiu, o fato de eu ser tão diferente da esposa dele, o fato de eu não ser tão submissa e apática quanto ela. Então tá na hora de mostrar o meu fogo!
Começou, agora não tem mais volta, ele já está dentro de mim, que estranho... Não, não faz assim que eu não gosto... Mais devagar um pouco, não seja tão afobado. Ele é bem peludo, poderia ter dado uma aparada hein? Isso, assim tá bom... Mas não muda! Outra posição? Tudo bem, fazer o que, acho que não vou conseguir gozar mesmo. Quem diria que eu ia sentir falta do meu marido uma hora dessas... Ele pelo menos sabe o que eu gosto. Se ao menos ele ainda me desejasse como a alguns anos atrás. Mas eu também tenho a minha parcela de culpa nisso, é verdade. Falando em gozar... Ele já foi? Rápido não? Será que eu ainda pego o Carlos acordado? Posso pegá-lo de surpresa e terminar a noite gozando com ele. Que saudade disso... O que eu tô fazendo aqui? Quero ir embora, quero minha casa, minha cama, meu marido. Ai que arrependimento de ter feito isso! Mas nada está perdido. Olha a de sono, do palerma, dizendo que me ama! Como fui dar bola pra um cara como esse, meu Deus? A carência faz cada coisa com a gente... Calma lá, você não acha que está indo rápido demais? Agora tá dizendo que me quer todo dia. Mal sabe ele que nunca mais vai me ver.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Xamã
O velho Xamã, barbas longuíssimas, vinha caminhando; o seu filho bebê agarrado aos longos fios que descem pelo seu rosto. Não foram poucas as pessoas que perguntavam como ele conseguia se manter preso, mesmo com tão pouca idade e o Xamã respondia:
- Ele está se agarrando à vida. E continuava no seu passo lento.
- Ele está se agarrando à vida. E continuava no seu passo lento.
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