Nunca gostei de mitos, sempre desconfiei das verdades dos outros. Uma verdade é tão imperfeita quanto quem a formula; é quase uma mentira.
Sendo assim, prefiro construir minhas próprias verdades, tão imperfeitas quanto sou. Prefiro seguir o que eu observo e sinto, descartando, fundindo e aceitando partes de verdades alheias e seguindo um caminho meu, original na medida do possível e sincero comigo mesmo.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
O seu olhar
O seu olhar é tão meigo
O seu olhar é tão seu
O seu olhar perfeito
E ao mesmo tempo tão meu
O seu olhar tem tristeza
E demonstra alegria
O seu olhar é tão claro
Como a luz do dia
O seu olhar é tão belo
Quando me olha assim
Traz um brilho singelo
Quando olha pra mim
O seu olhar é tão seu
O seu olhar perfeito
E ao mesmo tempo tão meu
O seu olhar tem tristeza
E demonstra alegria
O seu olhar é tão claro
Como a luz do dia
O seu olhar é tão belo
Quando me olha assim
Traz um brilho singelo
Quando olha pra mim
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Imperfeição
A imperfeição das coisas
A distância entre o sublime e o grotesco não é assim tão longa
Não há beleza absoluta
Há sempre algo que destoa
Beleza demais enjoa
O belo é superficial
Ser imperfeito é ser real
Ser imperfeito é estar vivo
É sair do mundo das ideias
É deixar de ser frio e distante
É estar próximo, é estar dentro de nós
É ser ambíguo e contraditório
É provocar novas análises
É ser belo pra alguém
Ser imperfeito é ser humano
Mas procuramos negar nossa condição
Somos limitados e complexos
Queremos segurança e afeto
Buscamos a imortalidade
Buscamos a perfeição
Mas somos assim, imperfeitos
Queremos sempre o que não temos
Pensei em um poema perfeito
Para falar sobre imperfeição
A distância entre o sublime e o grotesco não é assim tão longa
Não há beleza absoluta
Há sempre algo que destoa
Beleza demais enjoa
O belo é superficial
Ser imperfeito é ser real
Ser imperfeito é estar vivo
É sair do mundo das ideias
É deixar de ser frio e distante
É estar próximo, é estar dentro de nós
É ser ambíguo e contraditório
É provocar novas análises
É ser belo pra alguém
Ser imperfeito é ser humano
Mas procuramos negar nossa condição
Somos limitados e complexos
Queremos segurança e afeto
Buscamos a imortalidade
Buscamos a perfeição
Mas somos assim, imperfeitos
Queremos sempre o que não temos
Pensei em um poema perfeito
Para falar sobre imperfeição
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Adultério
Entramos no quarto dele. Ai acho que agora não tem mais volta. Nós vamos mesmo transar. Que delícia! A quanto tempo mesmo não faço amor? Três meses, quatro... nem sei.
Tô nervosa, será que eu ainda sei fazer sexo? É, sexo com outra pessoa que não o meu marido. Claro que sim né sua doida? Pára de paranoia, você é boa, ele não vive te elogiando? Menos de uns tempos pra cá, é verdade, mas pára de ficar pensando! Relaxa.
Xii... ele também está nervoso. Pelo fogo que apresentou no bar eu achei que já ia chegar rasgando a minha roupa assim que entrássemos na casa dele, igual em filme. Acho que a conversa sobre nossos casamentos deu uma esfriada nos ânimos... E essa garrafa de vinho que tomamos foi excessiva.
Ele está tirando a minha roupa... Parabéns, entrar pro clubinho dos que me viram nua. Meu primeiro namoradinho, com quem tive minha primeira vez, meu ginecologista, algumas depiladoras, aquele carinha com quem fiz sexo casual depois de bêbada, meu marido... Ele bem que podia ir mais rápido, assim vou acabar dormindo. Deixa eu ajudar o rapaz.
Acho que ele assustou um pouco com a minha atitude. Mas segundo ele, é justamente isso que o atraiu, o fato de eu ser tão diferente da esposa dele, o fato de eu não ser tão submissa e apática quanto ela. Então tá na hora de mostrar o meu fogo!
Começou, agora não tem mais volta, ele já está dentro de mim, que estranho... Não, não faz assim que eu não gosto... Mais devagar um pouco, não seja tão afobado. Ele é bem peludo, poderia ter dado uma aparada hein? Isso, assim tá bom... Mas não muda! Outra posição? Tudo bem, fazer o que, acho que não vou conseguir gozar mesmo. Quem diria que eu ia sentir falta do meu marido uma hora dessas... Ele pelo menos sabe o que eu gosto. Se ao menos ele ainda me desejasse como a alguns anos atrás. Mas eu também tenho a minha parcela de culpa nisso, é verdade. Falando em gozar... Ele já foi? Rápido não? Será que eu ainda pego o Carlos acordado? Posso pegá-lo de surpresa e terminar a noite gozando com ele. Que saudade disso... O que eu tô fazendo aqui? Quero ir embora, quero minha casa, minha cama, meu marido. Ai que arrependimento de ter feito isso! Mas nada está perdido. Olha a de sono, do palerma, dizendo que me ama! Como fui dar bola pra um cara como esse, meu Deus? A carência faz cada coisa com a gente... Calma lá, você não acha que está indo rápido demais? Agora tá dizendo que me quer todo dia. Mal sabe ele que nunca mais vai me ver.
Tô nervosa, será que eu ainda sei fazer sexo? É, sexo com outra pessoa que não o meu marido. Claro que sim né sua doida? Pára de paranoia, você é boa, ele não vive te elogiando? Menos de uns tempos pra cá, é verdade, mas pára de ficar pensando! Relaxa.
Xii... ele também está nervoso. Pelo fogo que apresentou no bar eu achei que já ia chegar rasgando a minha roupa assim que entrássemos na casa dele, igual em filme. Acho que a conversa sobre nossos casamentos deu uma esfriada nos ânimos... E essa garrafa de vinho que tomamos foi excessiva.
Ele está tirando a minha roupa... Parabéns, entrar pro clubinho dos que me viram nua. Meu primeiro namoradinho, com quem tive minha primeira vez, meu ginecologista, algumas depiladoras, aquele carinha com quem fiz sexo casual depois de bêbada, meu marido... Ele bem que podia ir mais rápido, assim vou acabar dormindo. Deixa eu ajudar o rapaz.
Acho que ele assustou um pouco com a minha atitude. Mas segundo ele, é justamente isso que o atraiu, o fato de eu ser tão diferente da esposa dele, o fato de eu não ser tão submissa e apática quanto ela. Então tá na hora de mostrar o meu fogo!
Começou, agora não tem mais volta, ele já está dentro de mim, que estranho... Não, não faz assim que eu não gosto... Mais devagar um pouco, não seja tão afobado. Ele é bem peludo, poderia ter dado uma aparada hein? Isso, assim tá bom... Mas não muda! Outra posição? Tudo bem, fazer o que, acho que não vou conseguir gozar mesmo. Quem diria que eu ia sentir falta do meu marido uma hora dessas... Ele pelo menos sabe o que eu gosto. Se ao menos ele ainda me desejasse como a alguns anos atrás. Mas eu também tenho a minha parcela de culpa nisso, é verdade. Falando em gozar... Ele já foi? Rápido não? Será que eu ainda pego o Carlos acordado? Posso pegá-lo de surpresa e terminar a noite gozando com ele. Que saudade disso... O que eu tô fazendo aqui? Quero ir embora, quero minha casa, minha cama, meu marido. Ai que arrependimento de ter feito isso! Mas nada está perdido. Olha a de sono, do palerma, dizendo que me ama! Como fui dar bola pra um cara como esse, meu Deus? A carência faz cada coisa com a gente... Calma lá, você não acha que está indo rápido demais? Agora tá dizendo que me quer todo dia. Mal sabe ele que nunca mais vai me ver.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Xamã
O velho Xamã, barbas longuíssimas, vinha caminhando; o seu filho bebê agarrado aos longos fios que descem pelo seu rosto. Não foram poucas as pessoas que perguntavam como ele conseguia se manter preso, mesmo com tão pouca idade e o Xamã respondia:
- Ele está se agarrando à vida. E continuava no seu passo lento.
- Ele está se agarrando à vida. E continuava no seu passo lento.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Nojentinha
Caíque chegou na escola, varreu o pátio com o olhar e lá estava ela: a Maria. Olhando pra ele com cara de nojinho. O menino estava com ranho escorrendo e nem percebeu. Mais uma vez, sentiu ódio dela, que era sempre a primeira a perceber suas ridiculices. Tentou achar algo nela para fazer careta e dizer "eca", mas não achou nada e teve mais ódio ainda. Caíque já sabia, naquela idade, que Maria era linda e sem defeitos e ele detestava isso. Como não tinha recurso, tirou o prendedor de cabelo da menina e saiu correndo. Hahahaha a Maria tá descabelada! Chamou os amiguinhos pra rir, mas ela tinha o coração de todos na mão e nenhum deles quis contraria-la. Momentos após a risada, bateu o remorso. Menos por tê-la chateado; mais por enfeiá-la, mesmo que fosse pouco. Passou um tempo, devolveu o prendedor. Ela aceitou displicentemente, como quem sabe que vai receber e não precisa fazer o menor esforço e, além disso, não agradeceu, nem chegou a lhe dizer palavra, limitou-se a olhá-lo com ar superior. Caíque nunca vai admitir, mas ficou triste com isso.
Não posso garantir, mas acaso pergunte à Caíque, hoje adulto, sobre Maria, ele provavelmente lembrará. Recordações agridoces.
Não posso garantir, mas acaso pergunte à Caíque, hoje adulto, sobre Maria, ele provavelmente lembrará. Recordações agridoces.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Fritting Away
From The Free Dictionary:
Each single day I live, each beer I drink, each steak I eat, each bad day I have, I'm fritting myself. I'm living just to fritter myself away and there is no way to avoid this, it's inevitable.
I'm wasting me, little by little, like an eraser, like a soap. I'd like to revert this, I'd like to increase myself, my body, my weight until I have the length of the world, then the length of the universe, and I could see the truth, the origin of life, God, everything. After this, It would be good to fritter myself away.
fritter
1. To reduce or squander little by little: frittered his inheritance away. See Synonyms at waste.
2. To break, tear, or cut into bits; shred.
Each single day I live, each beer I drink, each steak I eat, each bad day I have, I'm fritting myself. I'm living just to fritter myself away and there is no way to avoid this, it's inevitable.
I'm wasting me, little by little, like an eraser, like a soap. I'd like to revert this, I'd like to increase myself, my body, my weight until I have the length of the world, then the length of the universe, and I could see the truth, the origin of life, God, everything. After this, It would be good to fritter myself away.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Dias cinzentos
Em dias cinzentos como esse, quero estar em uma casinha aconchegante e com calefação, no interior da Inglaterra, vestindo uma jaqueta de moletom acolchoada e confortável, lendo um livro da Agatha Christie, tomando chá preto e esperando a minha avó gordinha, corada e bonachona terminar de assar os brownies, os cookies e a torta de mação pro chá das 17 em ponto.
Às 16:55 ela me acorda, pousando a mão carinhosamente no meu ombro, pois acabei caindo no sono no começo do capítulo XXVI, logo após o segundo assassinato do livro e que traz um twist interessante para a trama. Levanto um pouco aéreo, me espreguiço e sento à mesa. Fazemos uma pequena prece de agradecimento e comemos enquanto conversamos amenidades e pequenas fofocas acerca dos vizinhos e da família. Enquanto ela tira a mesa e lava a louça, volto com prazer renovado à leitura, sentado à janela e dando ligeiras olhadelas no dia que escurece lá fora. Depois de um tempo, deixo o livro de lado e vou para a sala, onde a minha avô faz tricô com um filhote de gato enrodilhado no colo. Ao notar minha presença ele vem manhoso, ronronando e esfregando a cabecinha adorável nas minhas pernas. Pula no meu colo e adormece enquanto assisto ao telejornal. Solto uma pequena imprecação ao saber do aumento dos impostos. A minha avó me olha desaprovadoramente por cima dos seus óculos em formato de meia lua e eu peço desculpas.
O telejornal termina e vou tomar um banho. Volto para assistir a um filme que passa na TV e minha avó dorme no meio, ela sempre dorme no meio. Termino de assistir lutando contra o sono, chamo-a para dormir na cama. Ela diz que está fine, thanks, mas acaba indo e reclamando que vai perder o sono. Deito lembrando do final feliz do filme e concluo que estou feliz também. O sono vem macio e durmo como um santo.
Às 16:55 ela me acorda, pousando a mão carinhosamente no meu ombro, pois acabei caindo no sono no começo do capítulo XXVI, logo após o segundo assassinato do livro e que traz um twist interessante para a trama. Levanto um pouco aéreo, me espreguiço e sento à mesa. Fazemos uma pequena prece de agradecimento e comemos enquanto conversamos amenidades e pequenas fofocas acerca dos vizinhos e da família. Enquanto ela tira a mesa e lava a louça, volto com prazer renovado à leitura, sentado à janela e dando ligeiras olhadelas no dia que escurece lá fora. Depois de um tempo, deixo o livro de lado e vou para a sala, onde a minha avô faz tricô com um filhote de gato enrodilhado no colo. Ao notar minha presença ele vem manhoso, ronronando e esfregando a cabecinha adorável nas minhas pernas. Pula no meu colo e adormece enquanto assisto ao telejornal. Solto uma pequena imprecação ao saber do aumento dos impostos. A minha avó me olha desaprovadoramente por cima dos seus óculos em formato de meia lua e eu peço desculpas.
O telejornal termina e vou tomar um banho. Volto para assistir a um filme que passa na TV e minha avó dorme no meio, ela sempre dorme no meio. Termino de assistir lutando contra o sono, chamo-a para dormir na cama. Ela diz que está fine, thanks, mas acaba indo e reclamando que vai perder o sono. Deito lembrando do final feliz do filme e concluo que estou feliz também. O sono vem macio e durmo como um santo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Alimento para a alma
Uma mente confusa é capaz de produzir boas coisas? Pode, claro. Uma mente confusa é como um liquidificador. Você mistura várias ideias, sacode tudo e de lá sai um caldo, uma vitamina, que até pode ser saborosa e nutritiva. Uma mente confusa é como uma panela em que os pensamentos são misturados com uma colher de pau, em movimentos vigorosos, resultando em um mexido da mente, que sacia a fome e nada mais.
Já a mente organizada é alta gastronomia. É uma cozinha organizada, com tudo no seu devido lugar. Com potinhos de temperos, metodicamente identificados. Está tudo lá, à disposição do cheff: um punhadinho de ironia, uma pitada de humor. A faca do sarcasmo sempre afiada. Para as receitas elaboradas, sempre haverão os livros de receita do Machado de Assis, do Nabokov, em uma prateleira limpa, organizados alfabeticamente, prontos para a consulta.
Só assim para produzir os cogumelos de Paris, os salmões com alcachofras e os petit gateaus da mente. As iguarias sofisticadas, equilibradas, com estilo, com humor, ironia, melancolia e lágrimas na medida certa.
Para escrever bem é necessário arrumar sua cozinha, lavar sua louça, comprar boas facas, pesquisar os temperos brasileiros, ingleses, portugueses, experimentar, errar, tentar de novo.
A alma complexa não se contenta em apenas saciar a fome, ela quer ser encantada, quer ser surpreendida, quer a experiência máxima e a habilidade dos melhores mestres. Para ela, o fast food, o self service das ideias não é o bastante.
Já a mente organizada é alta gastronomia. É uma cozinha organizada, com tudo no seu devido lugar. Com potinhos de temperos, metodicamente identificados. Está tudo lá, à disposição do cheff: um punhadinho de ironia, uma pitada de humor. A faca do sarcasmo sempre afiada. Para as receitas elaboradas, sempre haverão os livros de receita do Machado de Assis, do Nabokov, em uma prateleira limpa, organizados alfabeticamente, prontos para a consulta.
Só assim para produzir os cogumelos de Paris, os salmões com alcachofras e os petit gateaus da mente. As iguarias sofisticadas, equilibradas, com estilo, com humor, ironia, melancolia e lágrimas na medida certa.
Para escrever bem é necessário arrumar sua cozinha, lavar sua louça, comprar boas facas, pesquisar os temperos brasileiros, ingleses, portugueses, experimentar, errar, tentar de novo.
A alma complexa não se contenta em apenas saciar a fome, ela quer ser encantada, quer ser surpreendida, quer a experiência máxima e a habilidade dos melhores mestres. Para ela, o fast food, o self service das ideias não é o bastante.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Inveja
O pior era vê-lo exibindo seus defeitos de uma maneira tão segura que isso se incorporava ao seu charme e virava virtude. Ele tinha tudo, inclusive defeitos charmosos e atraentes. Era demais pra mim.
Eu precisava demonstrar que comigo não daria certo, que eu o odiava com todas as forças, que ele podia ter o mundo inteiro, menos eu. Mas volta e meia eu me pegava amando-o em segredo e então eu fazia um esforço brutal para odiá-lo ainda mais.
Eu precisava demonstrar que comigo não daria certo, que eu o odiava com todas as forças, que ele podia ter o mundo inteiro, menos eu. Mas volta e meia eu me pegava amando-o em segredo e então eu fazia um esforço brutal para odiá-lo ainda mais.
Vida
Certa vez eu li que o Thomas Mann, o autor do livro A Montanha Mágica, disse que se fosse pra parar de fumar a vida perderia o sentido.
A vida para as pessoas tem um sentido singelo, banal até. O Thomas Mann vivia pra fumar. Provavelmente escreveu a Montanha Mágica pra ter dinheiro pra comprar cigarros. Pode ser que tenha virado escritor por que podia trabalhar fumando.
Existem pessoas que vivem pra comer, vivem pra acumular dinheiro, vivem pra fazer sexo, vivem pra tocar música, vivem pra ler, vivem pra se apaixonar, vivem para o trabalho, vivem pra se mostrar, vivem pra viajar, vivem pra jogar, vivem pra beber, vivem para colecionar, etc.
A vida é simples e tudo o que fazemos tem a finalidade de fazer com que tenhamos condições de fazer o que temos que fazer para viver.
A vida para as pessoas tem um sentido singelo, banal até. O Thomas Mann vivia pra fumar. Provavelmente escreveu a Montanha Mágica pra ter dinheiro pra comprar cigarros. Pode ser que tenha virado escritor por que podia trabalhar fumando.
Existem pessoas que vivem pra comer, vivem pra acumular dinheiro, vivem pra fazer sexo, vivem pra tocar música, vivem pra ler, vivem pra se apaixonar, vivem para o trabalho, vivem pra se mostrar, vivem pra viajar, vivem pra jogar, vivem pra beber, vivem para colecionar, etc.
A vida é simples e tudo o que fazemos tem a finalidade de fazer com que tenhamos condições de fazer o que temos que fazer para viver.
Olhos tristes
Eu devia saber. Esses olhos tristes dela não enganam.
Ela já está a duas horas contando as suas mazelas e eu louco de vontade de ir embora, já não tenho a disposição que eu tinha para tentar resolver os problemas dos outros. Se fosse a um tempo atrás, eu a ouviria a noite inteira, daria conselhos, tentaria reforçar sua auto-estima, a beijaria com carinho e ela se apaixonaria por mim.
Hoje sei o quão desgastante isso é. Não quero isso novamente, não agora. O que eu mais queria era uma noite de sexo com uma mulher despreocupada. Mas não, eu atraio esse tipo de gente angustiada e entendiante. Elas não me divertem mais. Foi uma das inocências que perdi, essa de que posso melhorar as pessoas. Eu não posso. Quero pessoas já prontas de fábrica, sem traumas.
Se ela começar a chorar eu levanto e vou embora.
Ela já está a duas horas contando as suas mazelas e eu louco de vontade de ir embora, já não tenho a disposição que eu tinha para tentar resolver os problemas dos outros. Se fosse a um tempo atrás, eu a ouviria a noite inteira, daria conselhos, tentaria reforçar sua auto-estima, a beijaria com carinho e ela se apaixonaria por mim.
Hoje sei o quão desgastante isso é. Não quero isso novamente, não agora. O que eu mais queria era uma noite de sexo com uma mulher despreocupada. Mas não, eu atraio esse tipo de gente angustiada e entendiante. Elas não me divertem mais. Foi uma das inocências que perdi, essa de que posso melhorar as pessoas. Eu não posso. Quero pessoas já prontas de fábrica, sem traumas.
Se ela começar a chorar eu levanto e vou embora.
Prisão
E ele aceitou o castigo com a tranquilidade, com a resignação do prisioneiro que se habitua à prisão.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Certeza
Ela me disse:
- O que tenho que fazer pra você admitir que você me adora, que me acha foda? Não espere eu ir embora pra perceber.
E saiu, com seu passo sinouso, com a certeza que só os idiotas têm.
- O que tenho que fazer pra você admitir que você me adora, que me acha foda? Não espere eu ir embora pra perceber.
E saiu, com seu passo sinouso, com a certeza que só os idiotas têm.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Paisagem
Eu sou a paisagem que observo
O ar passa por dentro de mim
Sou irrelevante
A natureza é maior
A vida é maior
E saber disso me angustia
E sei que não deveria
O que quero com as grandes questões?
Antes cuidar da minha vida pequena
Antes tratar dos meus vãos problemas
Que horas dormir?
O que vou comer?
Alguém gosta de mim?
Estou me encontrando
Sou meu objeto de estudo
Sou a paisagem que pinto
A paisagem sou eu
E ela muda com as minhas pinceladas
E com o ponto de vista do observador
O ar passa por dentro de mim
Sou irrelevante
A natureza é maior
A vida é maior
E saber disso me angustia
E sei que não deveria
O que quero com as grandes questões?
Antes cuidar da minha vida pequena
Antes tratar dos meus vãos problemas
Que horas dormir?
O que vou comer?
Alguém gosta de mim?
Estou me encontrando
Sou meu objeto de estudo
Sou a paisagem que pinto
A paisagem sou eu
E ela muda com as minhas pinceladas
E com o ponto de vista do observador
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
De Volta
Ontem eu sonhei com dragões
Mas aqui não era assim
Esse parque, essa quadra
Esses arbustos, a grama não era assim tão alta
Essas árvores têm outro cheiro
Por onde andou o jardineiro?
Cadê todo mundo?
Foram todos embora?
É maravilhoso estar de volta
Mas dá um aperto no coração...
Porque tudo passa
Nada é do mesmo jeito
Eu não podia ter voltado
Mas eu precisava
E essa decadência desaba sobre o meu peito
Será que eu aguento?
Esse mato, essas casas
Já não reconheço
Alguma coisa se perdeu
Eu me perdi
Em meio a vozes, lembrança
Passado
Não está mais vivo
Sua alma paira
Escapa pela janela das casas
Ontem sonhei com dragões
Que me devoravam
Mas aqui não era assim
Esse parque, essa quadra
Esses arbustos, a grama não era assim tão alta
Essas árvores têm outro cheiro
Por onde andou o jardineiro?
Cadê todo mundo?
Foram todos embora?
É maravilhoso estar de volta
Mas dá um aperto no coração...
Porque tudo passa
Nada é do mesmo jeito
Eu não podia ter voltado
Mas eu precisava
E essa decadência desaba sobre o meu peito
Será que eu aguento?
Esse mato, essas casas
Já não reconheço
Alguma coisa se perdeu
Eu me perdi
Em meio a vozes, lembrança
Passado
Não está mais vivo
Sua alma paira
Escapa pela janela das casas
Ontem sonhei com dragões
Que me devoravam
O mundo das palavras, o mundo dos homens
Existem dois mundos: o mundo das palavras e o mundo dos humanos. Desde tempos imemoriais, esses mundos vivem em harmonia, ou quase.
O mundo dos humanos e o das palavras se parecem em alguns aspectos e diferem radicalmente em outros. Os humanos insistem em impor regras às palavras. Tentam discipliná-las, adequá-las a normas e padrões. Não entenderam ainda que elas têm vontade própria. Por mais que queiramos limita-las, elas, por capricho, mudam todas as regras. Criam novos significados para elas mesmas, criam exceções, mudam sua grafia. Poucos têm controle sobre elas. A esses, é reservada a palavra gênio.
As palavras têm personalidade. Assim como os humanos, há palavras jovens, velhas, palavras velhas metidas a novas, sempre tentando parecer modernas. Há palavras que gostam de aparecer, estão sempre saltando da nossa boca, sem que queiramos. São ansiosas, afobadas. Há as palavras preguiçosas, que vêm depois de muito custo, são tímidas, não gostam do mundo dos humanos. Existem, também, as palavras metódicas, chatas na pronúncia ou na escrita, estão sempre querendo nos fazer errar. Quem ousa usá-las paga um preço e corre um grande risco.
Algumas palavras já estão bem desgastadas pelo uso, são chamadas lugares-comuns, ou chavões, algumas envelhecem sem perder o vigor, outras têm vida curta, algumas parecem novas pois são pouco usadas, outras se aposentam com pouco tempo de uso.
O fato é que dependemos das palavras e elas dependem da gente. Elas fazem pirraça às vezes, faltam na hora em que mais precisamos e vêm na pior hora possível. Elas são caprichosas, temperamentais, assim como nós. Nos identificamos com elas, escolhemos algumas a que temos mais apreço e algumas palavras nos escolhem também. Temos um longo relacionamento com elas. Elas são necessárias, complexas e voláteis. Elas nos fascinam e talvez seja por isso que as amamos tanto.
Por isso gostamos de encadeá-las em frases, parágrafos, livros. Queremos ver como elas irão se comportar juntas, se vão brigar entre si, se vão se entrelaçar em perfeita harmonia, se vão apenas se aturar. Cada palavra possui seu significado individual, mas nenhuma se basta sozinha, assim como nós. Palavras reunidas podem mudar uma pessoa. Pessoas reunidas podem mudar o mundo. O mundo das palavras, o mundo dos homens.
O mundo dos humanos e o das palavras se parecem em alguns aspectos e diferem radicalmente em outros. Os humanos insistem em impor regras às palavras. Tentam discipliná-las, adequá-las a normas e padrões. Não entenderam ainda que elas têm vontade própria. Por mais que queiramos limita-las, elas, por capricho, mudam todas as regras. Criam novos significados para elas mesmas, criam exceções, mudam sua grafia. Poucos têm controle sobre elas. A esses, é reservada a palavra gênio.
As palavras têm personalidade. Assim como os humanos, há palavras jovens, velhas, palavras velhas metidas a novas, sempre tentando parecer modernas. Há palavras que gostam de aparecer, estão sempre saltando da nossa boca, sem que queiramos. São ansiosas, afobadas. Há as palavras preguiçosas, que vêm depois de muito custo, são tímidas, não gostam do mundo dos humanos. Existem, também, as palavras metódicas, chatas na pronúncia ou na escrita, estão sempre querendo nos fazer errar. Quem ousa usá-las paga um preço e corre um grande risco.
Algumas palavras já estão bem desgastadas pelo uso, são chamadas lugares-comuns, ou chavões, algumas envelhecem sem perder o vigor, outras têm vida curta, algumas parecem novas pois são pouco usadas, outras se aposentam com pouco tempo de uso.
O fato é que dependemos das palavras e elas dependem da gente. Elas fazem pirraça às vezes, faltam na hora em que mais precisamos e vêm na pior hora possível. Elas são caprichosas, temperamentais, assim como nós. Nos identificamos com elas, escolhemos algumas a que temos mais apreço e algumas palavras nos escolhem também. Temos um longo relacionamento com elas. Elas são necessárias, complexas e voláteis. Elas nos fascinam e talvez seja por isso que as amamos tanto.
Por isso gostamos de encadeá-las em frases, parágrafos, livros. Queremos ver como elas irão se comportar juntas, se vão brigar entre si, se vão se entrelaçar em perfeita harmonia, se vão apenas se aturar. Cada palavra possui seu significado individual, mas nenhuma se basta sozinha, assim como nós. Palavras reunidas podem mudar uma pessoa. Pessoas reunidas podem mudar o mundo. O mundo das palavras, o mundo dos homens.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Everybody wants to rule the world
Eu não nasci pra comandar o mundo, nasci para comandar a mim mesmo.
Gigante
Visito o meu passado como um gigante.
- Ei, não era pra você estar aqui!
Olho pra baixo e vejo pequenas criaturinhas gritando comigo. Reconheço algumas. Vejo um primo, um amigo de infância, uma professora. Tem um socando meu calcanhar. Ando cuidadosamente para não esmagar ninguém, mas ainda não tenho controle total sobre o meu enorme corpo.
Vou caminhando indiferente a tudo. Vejo lugares familiares, visito minha escola de primário, mas já estou muito grande para entrar nela. Tento olhar lá dentro, mas bato acidentalmente com a cabeça na parede e a derrubo. Olho o pátio que já foi enorme pra mim, mas que agora me parece minúsculo.
Ando mais um pouco e vejo a faculdade onde me formei. Tento sentar em uma cadeira mas ela vira pedaços sob meu peso. Já estou grande demais para meus antigos sonhos.
Encontro meus pais e os carrego na palma da minha mão. Eles são mais novos que eu e estão assustados. Coloco-os de volta no chão, não sou uma ameaça.
Me sinto sufocado, já não há mais espaço pra mim. Meu passado é uma camisa de força e sinto que vou perdendo minhas ilusões, uma a uma. E isso dói. Mas sou um gigante e esses pequenos cortes não são capazes de me derrubar. Não mais.
Revisito o meu passado. Para destruí-lo.
- Ei, não era pra você estar aqui!
Olho pra baixo e vejo pequenas criaturinhas gritando comigo. Reconheço algumas. Vejo um primo, um amigo de infância, uma professora. Tem um socando meu calcanhar. Ando cuidadosamente para não esmagar ninguém, mas ainda não tenho controle total sobre o meu enorme corpo.
Vou caminhando indiferente a tudo. Vejo lugares familiares, visito minha escola de primário, mas já estou muito grande para entrar nela. Tento olhar lá dentro, mas bato acidentalmente com a cabeça na parede e a derrubo. Olho o pátio que já foi enorme pra mim, mas que agora me parece minúsculo.
Ando mais um pouco e vejo a faculdade onde me formei. Tento sentar em uma cadeira mas ela vira pedaços sob meu peso. Já estou grande demais para meus antigos sonhos.
Encontro meus pais e os carrego na palma da minha mão. Eles são mais novos que eu e estão assustados. Coloco-os de volta no chão, não sou uma ameaça.
Me sinto sufocado, já não há mais espaço pra mim. Meu passado é uma camisa de força e sinto que vou perdendo minhas ilusões, uma a uma. E isso dói. Mas sou um gigante e esses pequenos cortes não são capazes de me derrubar. Não mais.
Revisito o meu passado. Para destruí-lo.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Punição
Daqui a pouco ele vem deitar. Vou fingir que estou dormindo. Não vou ceder logo no primeiro dia da minha greve de sexo. Ele tem que aprender a respeitar meus sentimentos e naquela briga de ontem ele foi longe demais. Deitou. Esbarrou na minha bunda... Deu até um tesãozinho. Não, mantenha-se firme. Vou ficar mais na beira da cama pra não ter perigo.
Silêncio.
Será que ele não vai falar nada? Será que já pegou no sono? Ele mexeu... tá mais perto. Posso até sentir o calor dele... Mas nem vem que não tem! Se ele vier chegando aos poucos, daquele jeitinho manso quando tá querendo reconciliação, já falo logo que não quero e que não adianta insistir. Que negócio é esse? A gente briga feio um dia e no outro ele já vem querendo que eu esteja no clima de fazer sexo?
Ele tá parado a um tempinho já. Mas será que ele não vai nem tentar? Tô achando que ele aceitou essa greve de sexo fácil demais. Será que o desejo dele por mim diminuiu? Nossa, ele tá respirando mais pesado! Deve ter pegado no sono. Bom, vou dormir também, é o melhor que eu faço. Melhor trocar de posição, por que ficar na beira da cama é meio desconfortável.
Pronto, assim tá melhor. Hum... ele tá cheiroso. Adoro o cheiro dele quando sai do banho... Que vontade de chegar mais perto. De dormir abraçada.
Controle-se. Ele merece essa punição. Agora comigo é assim. Olho por olho, dente por dente. Ele fez alguma coisa pra me agradar, alguma coisa romântica? Eu o chupo até gozar na minha boca. Fez alguma surpresa que me deixou muito feliz? Faço sexo anal. Só assim mesmo pra ele ser mais romântico. Só usando o sexo como moeda de troca mesmo. É isso aí, tenho que me impor também senão como fica?
Ai, tô achando que perdi o sono. Xiii ele vai começar a roncar. Como pode ele dormir como uma criança recebendo um castigo desses? Será que ele não se importa nem um pouco? Preciso fazer xixi. Tomara que ele acorde, esse ronco tá me irritando já.
Voltei. Acho que o sono tá voltando. Ele mudou de posição. Parou de roncar, ainda bem. Espero que ele aprenda a lição, vamos ver. Hum... amanhã é sábado! Se rolar um café na cama eu monto em cima dele! Ai ai, seria tão bom... Acho que eu ia gozar rapidinho, depois ia ficar abraçadinha, falar o quanto o amo e que não quero brigar nunca, nunca mais... Ou será que espero ele dizer primeiro? Talvez seja melhor, ele também precisa demonstrar que está arrependido, que quer fazer as pazes, que ainda me ama... Será que ainda tem leite? Talvez ele precise comprar pão. Tomara que ele aproveite e lave a louça... Talvez eu vá ao salão de tarde... Minha unha tá horrível... Posso aproveitar e...
Dormiu.
Silêncio.
Será que ele não vai falar nada? Será que já pegou no sono? Ele mexeu... tá mais perto. Posso até sentir o calor dele... Mas nem vem que não tem! Se ele vier chegando aos poucos, daquele jeitinho manso quando tá querendo reconciliação, já falo logo que não quero e que não adianta insistir. Que negócio é esse? A gente briga feio um dia e no outro ele já vem querendo que eu esteja no clima de fazer sexo?
Ele tá parado a um tempinho já. Mas será que ele não vai nem tentar? Tô achando que ele aceitou essa greve de sexo fácil demais. Será que o desejo dele por mim diminuiu? Nossa, ele tá respirando mais pesado! Deve ter pegado no sono. Bom, vou dormir também, é o melhor que eu faço. Melhor trocar de posição, por que ficar na beira da cama é meio desconfortável.
Pronto, assim tá melhor. Hum... ele tá cheiroso. Adoro o cheiro dele quando sai do banho... Que vontade de chegar mais perto. De dormir abraçada.
Controle-se. Ele merece essa punição. Agora comigo é assim. Olho por olho, dente por dente. Ele fez alguma coisa pra me agradar, alguma coisa romântica? Eu o chupo até gozar na minha boca. Fez alguma surpresa que me deixou muito feliz? Faço sexo anal. Só assim mesmo pra ele ser mais romântico. Só usando o sexo como moeda de troca mesmo. É isso aí, tenho que me impor também senão como fica?
Ai, tô achando que perdi o sono. Xiii ele vai começar a roncar. Como pode ele dormir como uma criança recebendo um castigo desses? Será que ele não se importa nem um pouco? Preciso fazer xixi. Tomara que ele acorde, esse ronco tá me irritando já.
Voltei. Acho que o sono tá voltando. Ele mudou de posição. Parou de roncar, ainda bem. Espero que ele aprenda a lição, vamos ver. Hum... amanhã é sábado! Se rolar um café na cama eu monto em cima dele! Ai ai, seria tão bom... Acho que eu ia gozar rapidinho, depois ia ficar abraçadinha, falar o quanto o amo e que não quero brigar nunca, nunca mais... Ou será que espero ele dizer primeiro? Talvez seja melhor, ele também precisa demonstrar que está arrependido, que quer fazer as pazes, que ainda me ama... Será que ainda tem leite? Talvez ele precise comprar pão. Tomara que ele aproveite e lave a louça... Talvez eu vá ao salão de tarde... Minha unha tá horrível... Posso aproveitar e...
Dormiu.
Espelho
Desperto do me torpor. Estou tão fundo nela quanto poderia estar e ela me aperta e me suga, como se quisesse me tragar inteiro, como se quisesse ser penetrada pelo meu corpo, pela minha alma.
E então eu vejo o que nunca vi. Ela está em um transe, cada pequeno movimento despertando múltiplas reações. Uma embriaguez de prazer completamente descontrolada e lasciva, como se ela estivesse possuída e consumida, totalmente entregue aos seus sentidos, que se embaralham de forma desconexa e inesperada. O seu corpo inteiro servindo a esse imenso prazer.
Perto disso, o meu gozo fica pequeno, uma pequena explosão de track perto de uma bomba atômica. Mas guardo esse momento na memória e guardo por mim a satisfação de conduzi-la tão longe, satisfeito por satisfazê-la de forma tão intensa.
________________________________________________
Luz azul no meu rosto, nossa ele está tão fundo dentro de mim! O movimento da bunda dele, a minha cara de tarada... Que delícia meus seios roçando o peito dele... Estou perdendo o controle do meu corpo! Estou entrando em um mar de prazer, já não sei mais de onde vêm os estímulos. Estou sentindo o cheiro dos gemidos dele, a cor e a forma do seu pau me penetrando. Minha cabeça roda, meu corpo inteiro é um orgasmo. Eu gozo nos pés, nas costas, nos joelhos. Eu gozo inteira e quero mais, quero ser carne, quero ser prazer. Já não tenho mais corpo, sou uma energia descontrolada, sou uma explosão e me perco e quero me perder, pra depois me encontrar, saciada e descansar nos braços dele, agradecida pela viagem, agradecida por estar ali, por ter explorado terras virgens e agora ter voltado ao meu lar, ao meu porto seguro e descansar até a próxima jornada.
E então eu vejo o que nunca vi. Ela está em um transe, cada pequeno movimento despertando múltiplas reações. Uma embriaguez de prazer completamente descontrolada e lasciva, como se ela estivesse possuída e consumida, totalmente entregue aos seus sentidos, que se embaralham de forma desconexa e inesperada. O seu corpo inteiro servindo a esse imenso prazer.
Perto disso, o meu gozo fica pequeno, uma pequena explosão de track perto de uma bomba atômica. Mas guardo esse momento na memória e guardo por mim a satisfação de conduzi-la tão longe, satisfeito por satisfazê-la de forma tão intensa.
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Luz azul no meu rosto, nossa ele está tão fundo dentro de mim! O movimento da bunda dele, a minha cara de tarada... Que delícia meus seios roçando o peito dele... Estou perdendo o controle do meu corpo! Estou entrando em um mar de prazer, já não sei mais de onde vêm os estímulos. Estou sentindo o cheiro dos gemidos dele, a cor e a forma do seu pau me penetrando. Minha cabeça roda, meu corpo inteiro é um orgasmo. Eu gozo nos pés, nas costas, nos joelhos. Eu gozo inteira e quero mais, quero ser carne, quero ser prazer. Já não tenho mais corpo, sou uma energia descontrolada, sou uma explosão e me perco e quero me perder, pra depois me encontrar, saciada e descansar nos braços dele, agradecida pela viagem, agradecida por estar ali, por ter explorado terras virgens e agora ter voltado ao meu lar, ao meu porto seguro e descansar até a próxima jornada.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Amar
Amar é bom? Sim, muito. Amar é ruim? Talvez seja, em alguns momentos de angústia. Não importa. O importante é amar.
É ter amado. De verdade, de coração, com todas as forças. Se não for por isso, por que a vida valeria a pena?
O medo de amar é a pior covardia, é morrer em vida.
É ter amado. De verdade, de coração, com todas as forças. Se não for por isso, por que a vida valeria a pena?
O medo de amar é a pior covardia, é morrer em vida.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Representação
Ela não só acredita no drama, como o drama pra ela é vital. É uma necessidade, uma imposição. E na encenação desse drama sou um canastrão, pois não sinta nada além de tédio e impaciência. Não consigo interpretar o drama de forma convincente e isso é o que mais a frustra. Não que eu não tenha sentimentos. Eu os tenho, e muitos. Mas pra mim eles sempre estiveram no escuro, na coxia dentro de mim. A luz do palco os intimida e os distorce. E eu quero protegê-los disso, quero mantê-los puros. Meus sentimentos não são espetáculo, apesar dela insistir em ser plateia. Mas a única peça que me permito é um monólogo.
Biografia
Qualquer pessoa tem mais a me ensinar que um livro. Daí a força das biografias. Pessoas reduzidas a livros. Livros híbridos, metade carne metade papel.
Me recuso a viver de acordo com o comportamento de personagens que nada mais são que palavras no papel, que são sinapses na cabeça de um escritor qualquer.
Não.
Minha vida se baseia na vida. Sou uma imitação, uma versão, uma amostra, uma representação de muita coisa que existe e que já existia muito antes de eu nascer. Estou aprendendo a não sofrer mais com isso, a aceitar que não sou original, que sou uma mera colcha de retalhos de vida, de lembranças e emoções.
A minha biografia é uma soma de várias outras, de pessoas que me influenciaram, que me amaram, que me detestaram, que foram indiferentes. Tenho muitas páginas emprestadas e roubadas, sou um compilador e editor de vidas, me alimento de almas em um canibalismo mútuo.
E agora me ofereço em sacrifício. Pra mim, com certeza. Pra outros, talvez. Também sou alimento, delicioso e indigesto. Melhor comer cru.
Me recuso a viver de acordo com o comportamento de personagens que nada mais são que palavras no papel, que são sinapses na cabeça de um escritor qualquer.
Não.
Minha vida se baseia na vida. Sou uma imitação, uma versão, uma amostra, uma representação de muita coisa que existe e que já existia muito antes de eu nascer. Estou aprendendo a não sofrer mais com isso, a aceitar que não sou original, que sou uma mera colcha de retalhos de vida, de lembranças e emoções.
A minha biografia é uma soma de várias outras, de pessoas que me influenciaram, que me amaram, que me detestaram, que foram indiferentes. Tenho muitas páginas emprestadas e roubadas, sou um compilador e editor de vidas, me alimento de almas em um canibalismo mútuo.
E agora me ofereço em sacrifício. Pra mim, com certeza. Pra outros, talvez. Também sou alimento, delicioso e indigesto. Melhor comer cru.
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