domingo, 24 de janeiro de 2010

Representação

Ela não só acredita no drama, como o drama pra ela é vital. É uma necessidade, uma imposição. E na encenação desse drama sou um canastrão, pois não sinta nada além de tédio e impaciência. Não consigo interpretar o drama de forma convincente e isso é o que mais a frustra. Não que eu não tenha sentimentos. Eu os tenho, e muitos. Mas pra mim eles sempre estiveram no escuro, na coxia dentro de mim. A luz do palco os intimida e os distorce. E eu quero protegê-los disso, quero mantê-los puros. Meus sentimentos não são espetáculo, apesar dela insistir em ser plateia. Mas a única peça que me permito é um monólogo.

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