sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nojentinha

Caíque chegou na escola, varreu o pátio com o olhar e lá estava ela: a Maria. Olhando pra ele com cara de nojinho. O menino estava com ranho escorrendo e nem percebeu. Mais uma vez, sentiu ódio dela, que era sempre a primeira a perceber suas ridiculices. Tentou achar algo nela para fazer careta e dizer "eca", mas não achou nada e teve mais ódio ainda. Caíque já sabia, naquela idade, que Maria era linda e sem defeitos e ele detestava isso. Como não tinha recurso, tirou o prendedor de cabelo da menina e saiu correndo. Hahahaha a Maria tá descabelada! Chamou os amiguinhos pra rir, mas ela tinha o coração de todos na mão e nenhum deles quis contraria-la. Momentos após a risada, bateu o remorso. Menos por tê-la chateado; mais por enfeiá-la, mesmo que fosse pouco. Passou um tempo, devolveu o prendedor. Ela aceitou displicentemente, como quem sabe que vai receber e não precisa fazer o menor esforço e, além disso, não agradeceu, nem chegou a lhe dizer palavra, limitou-se a olhá-lo com ar superior. Caíque nunca vai admitir, mas ficou triste com isso.

Não posso garantir, mas acaso pergunte à Caíque, hoje adulto, sobre Maria, ele provavelmente lembrará. Recordações agridoces.

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